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Eu queria calar a cabeça por um segundo que fosse, mas meus pensamentos gritam tão alto que até o silêncio dói. Nunca me sinto suficiente, como se tivesse nascido faltando partes, como se amar fosse sempre perigoso, sempre exagero, sempre medo, sempre “e se não for verdadeiro?”. Minha inocência foi arrancada tão cedo que hoje eu corro pela vida como quem foge de um incêndio, tentando aproveitar tudo, tudo rápido, tudo agora— porque se eu paro, eu desabo. Virou minha droga: essa pressa de viver, essa mania de parecer útil, mesmo sabendo que nada me preenche por dentro. Sou prisão construída com pensamentos, as paredes são minhas próprias mãos, e a esperança? vira poeira todas as manhãs. Sempre acho que vão me deixar, então eu mesma me deixo primeiro. Me fecho, me escondo, viro ilha. Por fora, risadas, energia, brilho, piada, movimento. Por dentro, um corpo frio, um coração que bate só por costume. Choro do nada, me mordo pra sentir algo, explodo sem aviso, quero fugir do mundo, quero fugir de mim. E, no fundo, uma voz sussurra que eu mereci cada cicatriz. E eu acredito. Eu sempre acredito.
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