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Eu tô cansada de respirar. Cansada de existir nesse corpo que não me obedece, que me tranca, que me engole viva. Minha cabeça nunca cala. Ela grita, arranha, morde, me tortura no escuro como se eu fosse inimiga dela. E eu sou. Sou sempre o problema, sempre o erro, sempre a falta. Nunca suficiente, nunca inteira. Como se alguém tivesse roubado a parte de mim que sabia amar sem tremer, sem desconfiar, sem esperar o abandono. Eu vivo correndo, gastando os pés, queimando a alma, como se ficar parada me matasse. Talvez mate mesmo. Viver virou vício, um vício podre, uma droga que me ilude, me levanta, e depois me joga na parede pra rir da minha cara. Eu rio também, porque por fora eu sou festa, sou energia, sou brilho falso. Por dentro, eu sangro tanto que já nem sei de onde vem a dor. Eu me mordo, me culpo, me destruo sozinha. Explodo do nada, viro tempestade, viro caco de vidro no meio do próprio peito. E quando eu choro sem motivo, quando eu quero fugir, sumir, desaparecer, eu penso que mereço. Mereço o peso, mereço o vazio, mereço cada marca que a vida deixou em mim. Porque eu sou assim: um corpo que vive, uma mente que mata.
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