𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐎𝐩𝐨𝐬𝐭𝐨𝐬
Nasce um sorriso em seu rosto cansado, numa manhã fria de sol apagado. Ele ri mas não sente, sonha alto e cai de repente. Pensa em voar, mas teme o vento, carrega no peito um mar de lamento. Menino confuso, espelho quebrado, entre o tudo e o nada, está ancorado. “Sou forte”, ele diz, entre risos vazios, mas chora à noite, com olhos sombrios. O mundo o abraça e depois o solta, seu coração é uma estrada torta. Às vezes ama, às vezes foge, é chama viva, é neve que escorre. Quer gritar ao céu: “Me entenda!” mas o céu responde com a mesma lenda. “O que você sente?”, perguntam, em vão, ele apenas sorri, disfarçando a prisão. Um nó na garganta, um grito no peito, tentando ser certo num mundo sem jeito. O espelho reflete dois rostos num só: um sorri à vida, o outro implora "só". Entre extremos, caminha calado, sorrisos que choram, seu fado selado. Ele é verão em plena neblina, é tempestade com alma menina. Quer paz, quer guerra, quer entender, mas tudo o que sente, não sabe dizer. E assim vai vivendo, meio sim, meio não, abraçado ao caos de sua contradição. Pois entre opostos, ele se forma, um garoto em ruínas, que a dor transforma.
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