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Me sinto velha demais numa idade que mal começou, me olho e vejo desgosto, vejo nojo, vejo dor. Quando vejo um grupo de meninos, meu corpo só quer fugir, é medo que nasce sozinho, é trauma que insiste em ferir. E até perto de garotas eu não consigo ficar, me sinto presa, encurralada, pronta pra desmoronar. Olho o mundo pela janela, todo mundo sabe viver. Eles riem juntos tão fácil… por que isso não acontece comigo também? Sinto uma inveja amarga, um desprezo que não pedi, queria ser leve igual eles, mas só sei me esconder de mim. Eu me odeio em silêncio, me quebro sem ninguém ver, carrego um medo constante de alguém vir me machucar sem querer. Queria ser outra pessoa, uma que não treme em vão, uma que não sente o mundo como uma eterna punição. Mas sigo assim, meio viva, meio frágil, meio chão. Eles riem lá fora tão livres… e eu sou só minha prisão.
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