Sob nossos narizes
Fizeram-nos acreditar que somos pequeninos, bobos e frágeis. Enquanto todas as naturalidades sob nossos narizes foram forçosamente retiradas, exportadas e usadas sem nenhum consentimento. Fizeram-nos escravos, seres moventes, cargueiros, tropeiros, cuidadores, pecadores... Escravizaram-nos, dando a nós seus próprios valores de vida, através de uma perspectiva única, que construíram sobre todos como “ideal”. O maior pecado de todos foi nos roubarem a possibilidade de encontrar nossa própria identidade e finalidade como comunidade unida, reconhecedora de seu potencial valor. Algo que é roubado, ainda que encontrado algum dia, tira por um lapso de tempo a conexão entre o objeto e o seu verdadeiro dono originário. Pode desnorteá-lo. Mas, ainda que nunca seja encontrado, que a fúria e a revolta façam seu dono originário perceber o que se perdeu, e que se levante, contra outras tantas invasões contemporâneas — sobretudo sobre a construção da sua identidade, que lhe é intencionalmente afetada. Alice Lima, 2025. Ireland.
Poetry Books 50% Off
Bestselling collections from top poets
