Retorno
Retorno. Às terras que um dia amaldiçoei, que pisei com fúria, que gritei e açoitei. E agora? Zombais de mim, ó doce e escarnecedor destino? Aqui estou, respirando o mesmo ar com novos pulmões. Os ventos sopram lembranças esquecidas. A terra, antes rude, agora afaga meus passos — ao qual ferirá novamente. E os versos? Ah, esses nunca cessam. O que me trouxe de volta? Não sei. Procuro a razão, mas fujo das respostas. Me disseram que aqui não era meu lugar — e ainda assim, é o mais próximo que tenho de um lar. Retorno. Sou o mesmo? Ou outro? Nunca escolho partir, mas sempre hei de. Retorno, com versos novos, com cicatrizes abertas, com delírios de alegria breve. Mas não com novas esperanças — essas já não brotam nestas terras. Fiz deste solo um purgatório. e deste lugar, um Éden onde florescem apenas os beijos de Eva. Desfruto de cada fagulha, sabendo que toda luz aqui há de extinguir — como a estrela mais brilhante ao fim da sua vida, e como o amor que nasce em corações condenados ao desencanto
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