Radar infernal
Eu percebo, sempre percebo, Um sussurro insidioso no vento, Uma sombra que invade a luz do dia, Olhares que conspiram, intenções ocultas. Nunca falha, mesmo sem querer, A intuição desenha mapas tortuosos, Planos e tramas se revelam, Sou um radar humano, sempre em alerta. É dádiva ou maldição, Essa consciência que se estende, Capto sinais, vibrações sombrias, Estou louco, num delírio incessante? Antena de radar, captando o indizível, Vivo entre o real e o imaginado, A verdade me dilacera, como ferrugem no aço, Defeito ou dom, não sei distinguir. Fingir apatia, desentendido, Uma máscara prestes a despencar, A verdade arde, queima ferozmente, Um fardo que me esmaga, sem trégua. Aos limites da sanidade, No limiar do colapso, Minha mente oscila, cansa, Um radar de emoções, despedaçado. Ser defeituoso ou abençoado, Um enigma que me atormenta, Na dança insana entre a mente e o coração, Busco paz, um suspiro, um alento. E um dia, quem sabe, A resposta virá, implacável, Serei livre ou consumido, Nesse inferno que é perceber tudo. Até lá, sigo, na agonia, Nessa jornada solitária e cruel, Um radar humano, desvendando Os mistérios de um coração à beira do abismo
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