O Homem Que Corre de Si.
Corro. Mas não há trilha que me leve pra longe de mim. Eu me escondo nas sombras, mas minhas dores me reconhecem mesmo sem rosto, mesmo mudo. Me finjo estátua entre sorrisos artificiais, mas por dentro — o caos canta. E canta alto. Num tom que só eu ouço quando o mundo silencia. Tenho um abismo onde a alma deveria morar. E, vez ou outra, mergulho lá dentro… não pra sumir, mas pra lembrar que ainda sinto. Sinto demais. Mesmo quando nego. Mesmo quando visto armaduras feitas de sarcasmo, de silêncio, ou de indiferença ensaiada. Não há fuga. Não há tentativa que me salve de mim mesmo. Sou prisioneiro e carcereiro, sou eco e vazio, sou o grito abafado num peito que ainda pulsa por alguém — ou por algo que nunca veio. Mas sigo. Porque é isso que almas em guerra fazem. Elas não vencem. Elas continuam.
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