Hoje à noite ela não veio
O som do salto 36 dela rasgava o silêncio da minha sala. O chão frio era regido por ela a cada passo que nele dava. Tal qual o cisne no lago, sendo levado pela água, eu, preso à poltrona, imóvel, bailava. Como quem previa o fim, aquele momento guardei em mim. Registrei cada sensação, cada imagem, cada som com que feliz vivi. O silêncio de hoje gritou mais alto. O chão implora pelo toque do salto, e a noite dorme inquieta sem o som da mais bela orquestra. Amanhã, pelo mais belo caminhar eu anseio. Mas hoje, não. Hoje à noite, ela não veio.
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