Doce espera
Doce espera, cruel espera, Por que tendes à permanência, ó tempo? Avança ao fim, descativa-me desta tormenta. Guia-me ao que guardas no fim da estrada, permitindo-me tocar o que julgo ser meu por sina e, então, em um toque de cruel ironia, lastimar-me ao possuir. Corre, eterno... dança, carrasco. Insistes, tirano, em te fazer imprevisível? Fustigas, mas recobras. Tiras de mim o que já não possuo e, em tua eterna tirania, prometes-me o que jamais irei deter. Eu te expurgo, ó tempo, pois fizeste de minhas vontades uma teia de Penélope, onde tudo se perde e nada se tece.
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