Coração.
Ó querido vazio, por que tomas conta de meu coração? Eu mereço isso? Talvez eu tenha me descuidado de fato, porém, não dei-lhe permissão para entrar. "Saia, por favor. Não sei como me defender." Disse o coração indefeso. "Você se sente bem comigo aqui, eu sou agora teu principal pilar, ó fragil coração." Respondeu-lhe o Senhor Vazio. Talvez o coração realmente se sentisse bem, mas algum instinto racional negava tal afirmação. O sentimento de não estar triste, feliz ou sequer zangado, apenas não sabia o que sentir. "Tem razão. Portanto, expulso-lhe imediatamente." Responde o lado racional do frágil coração. "Não pode fazer isso. Apesar de ser vazio, sou eu quem preenche seu interior. Será capaz de repreenchê-lo sem mim?" Diz o Senhor Vazio em tom sereno. "Não. Definitivamente não. Perdão." Sussurra o coração em aceitação. Apesar da vontade de se sentir livre, não era capaz de se libertar daquele sentimento. No fim, o frágil coração, mesmo pulsante, se sentia morto.
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