A porta entreaberta
Tudo começou com um silêncio estranho. Não aquele silêncio leve de quem está em paz. Era o tipo que pesa no ar, que enche os espaços e faz o peito apertar. Você sabe… aquela sensação de que há algo prestes a acontecer, mas que ainda não se revelou. Você sentia. Mesmo sem entender, mesmo sem provas, algo dentro de você sabia. Sabia que existia mais por trás de cada olhar evitado, de cada “tudo bem” dito com hesitação. Sabia que havia palavras presas, emoções sufocadas, vontades encobertas por medo ou orgulho. E, mesmo assim, você ficou. Ficou perto, mesmo sem garantias. Ficou porque algo no outro te chamava — não com palavras, mas com presença. Com aqueles gestos pequenos que só quem sente de verdade percebe. Foi quando você decidiu não pressionar. Você só deixou a porta entreaberta. E essa porta… essa simples brecha no silêncio, mudou tudo. Porque às vezes, tudo o que alguém precisa é saber que pode entrar sem ser julgado. Aos poucos, o outro se aproximou. Primeiro com palavras soltas, inseguras, depois com o olhar mais firme. E quando menos esperava, veio a verdade. Sentimentos guardados por tanto tempo, finalmente soltos. Uma avalanche suave e sincera
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