A doçura da corrupção
O sabor doce do pecado é ironicamente lindo. Que eu vivi em um paraíso e, por causa de um fruto, me tornei corrompido. De lembranças desse paraíso é só um resquício. Você, não satisfeito e astuto, mentiroso, cruel como uma serpente, me ofereceu o fruto que era tão doce. O sabor era sem igual: o conhecimento do bem e do mal. Meu castigo, por isso, é que eu, que um dia vim do pó, agora ao pó retornarei. Um castigo tão cruel, mas o sabor desse pecado, desse fruto, é tão doce quanto um favor de mel. Agora meu coração conhece o mal. Ouço, todo dia, um coral. Nos meus sonhos não consigo saber se são de anjos ou demônios. Agora conheço um vermelho escarlate que agora clama pelo Criador, que está no céu. É assustador que agora, nesse instante, conheço algo que se chama sangue, pois agora isso será lembrado por eras e eras. Por que fizeste isso, Eva? Agora o sangue de seu filho está gravado nessa pedra.
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