A coragem do covarde
Dizem que mudar é só querer, mas ninguém contou o peso de renascer. Quem viveu na mesma escuridão aprende a chamar prisão de proteção. Passei tantos anos sem perceber, achando que não precisava crescer. Se sempre fui assim, por que mudar? Era mais fácil apenas continuar. Mas o tempo bateu na minha porta, trazendo perguntas sem resposta. Mostrou que viver não é resistir, às vezes é preciso partir. Tenho medo do passo que nunca dei, do homem que ainda não encontrei. É estranho deixar quem eu fui, mesmo quando essa versão me destrui. O novo me chama, o velho me prende; meu peito hesita, minha alma entende. Porque o conhecido, mesmo fazendo mal, parece um abraço... quase natural. Trocar as correntes pela incerteza também exige uma rara firmeza. Não é covardia sentir temor, é humano tremer diante da dor. Talvez seja esse o segredo escondido: ser forte, mesmo estando ferido. Pois coragem não é nunca temer, é caminhar... mesmo sem saber. E se hoje ainda pareço um covarde, é porque a mudança nunca é tarde. No fundo, quem escolhe recomeçar já encontrou coragem antes de chegar.
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